The scientist - Coldplay
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Back to the start.
Estou indo te encontrar, te dizer que eu sinto muito. Você não sabe quão adorável você é. Eu tive que encontrar você, te dizer que eu preciso de você e te dizer que eu te deixei de lado. Me conte seus segredos e me pergunte suas dúvidas, vamos voltar para o começo. Ninguém disse que era fácil. É mesmo uma pena nós nos separarmos, ninguém disse que era fácil e ninguém nunca disse que seria tão difícil. Leve-me de volta ao começo. Eu há pouco estava adivinhando números e dígitos, solucionando os quebra-cabeças, questões de ciência, ciência e progresso não falam tão alto quanto meu coração. Diga-me que me ama, volte e me assombre, e eu corro para o começo. Ninguém disse que era fácil. É mesmo uma pena nós nos separarmos, ninguém disse que era fácil e ninguém nunca disse que seria tão difícil. Eu estou voltando para o começo.
Torpor.
Não foi a primeira nem a última vez que o vi, mas foi a única que eu estive prestes a avançar. Olhei o sinal, estava fechado e na minha frente, ele estava parado, com seu sorriso angelical e meu coração na mão. Eu finalmente estava decidida a passar por cima, mesmo que isso significasse destruir todas as lembranças. Sua presença me matava aos poucos e me deixava mais viciada a cada dia. Costumeiro viver sob efeitos de remédios. E não tinham a ação de comprimidos. Abraços, sorrisos, poemas ilusórios, me enganavam momentaneamente. Não sei se era mera ilusão ou se por um momento ele realmente se importou comigo. Ele pegou meu coração e o deixou sob o asfalto quente, e eu vi meus sentimentos se dilacerarem sem que eu pudesse fazer nada. Sem que eu quisesse fazer nada. De alguma forma, eu não ligava. Aos poucos era desligada de mim mesma, da parte que ele sempre exigiu que eu fosse. Precisava ser suficiente só pra mim agora. A vida sem remédios é muito mais gratificante. Ele teve que se contentar em ser o analgésico de outra pessoa. Qualquer outra que gostasse de um que não funcionasse bem e que viciasse. Esse alguém não era mais eu.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Primeiro amor.
Palhaço, de olhos verdes e um chapéu cor-de-rosa. Assim ele apareceu pra mim, e assim eu o amei. Desde o primeiro instante. A partir do primeiro arrepio, a primeira pulsada violenta nas veias, do primeiro suspiro. Entreguei-me de corpo e alma, e deliciei-me com as gotas de um amor genuino. Um amor letal. Cada gota agia como veneno, levando-me a uma morte induzida, lenta, prazerosa. Eu estava ciente dos sintomas, estava com febre, eu estava alucinando. Pensando bem, talvez não fosse veneno, nem doença. Era uma droga, presente em minha corrente sanguinea, fazendo minha cabeça girar, minhas pernas pesarem. E claro, era viciante. Quando mais eu provava daquela substância, mas eu me entregava aos seus encantos. Era como tomar absinto, e ver que as lendas sobre ele eram reais. Aquilo me levava a loucura, e eu adorava, queria mais e mais. Nunca pensando nas consequencias. Haveriam consequencias ? Ou haveria apenas cheiro de paixão misturado com um perfume masculino embriagante ? Haveria razão para querer deixar aquilo ? Ou haveria para sempre canções que falavam de mar, e encontros, e mais canções ? Degustar o amor pela primeira vez é uma sensação única. Mas assim como outras drogas, ou absinto, custa caro. Porque depois do efeito, sempre vem dor de cabeça, ressaca. Mas apesar de tudo isso, você nunca se arrepende. E você agradece, por cada particula do seu ser não rejeitar gotas tão puras do mais cruel e vital veneno. Então você sabe, que sufocar e delirar é um preço baixo a se pagar. Porque o amor é assim, e põe você à prova a todo instante, sucintamente. Mas, por todo o caminho que eu percorrer, palavras suaves e quentes sairam da minha boca para dizer que o meu primeiro amor teve sabor de desejo, teve sabor de vida, teve sabor de amor. O mais letal, e o mais lindo. Com olhos verdes que pareciam esmeralda liquida, e com um chapéu cor-de-rosa. Que hoje se encontra desbotado, comigo. Mas que sempre vai existir. Como essa lembrança, que o assim como o vinho, fica mais saborosa com o passar do tempo. Um brinde, aos primeiros amores. E aos outros também, é claro.
sábado, 3 de abril de 2010
Insaciável.
Sinto-me inspirada, e nostalgiada. Sinto sede de palavras, isso me consome tranquilamente. Sinto falta de coisas que não tem nome. Sinto falta, mas não sei bem se sinto isso mesmo. Como explicar a saudade que se sente, de uma coisa que simplesmente não existe ? Acham isso estranho. Já eu parei de achar as coisas. Minha opnião não está valendo muito. Nunca valeu realmente. Para falar a verdade, eu não me sinto inspirada. Peço-lhes desculpas quanto a minha singela mentira, mas é que eu nunca tenho inspiração, só precisava de algo para começar. Não sei porque ainda continuo a escrever. Como eu disse, eu sinto sede de palavras. Queria poder colocar todos os meus pensamentos para fora de mim, mas queria que isso fizesse algum sentido. É uma tentativa vã. Sinto sede de palavras sim, mas é uma sede que eu não posso saciar. É mais forte do que eu. Na realidade, eu sou pouca coisa agora. E o que eu sou não importa muito. O que importa é o momento. É o meu momento. Meu momento de fraqueza. Meu momento de devaneio. É isso que eu sou. Apenas. Agora estou com saudade de pessoas.Divertidas, que amam a vida. Nunca conheci tais pessoas, mas sinto falta delas. Elas ocupam muito espaço dentro de mim. São elas, o meu amor por elas, e mais devaneios. Mais pensamentos irracionais. Tenho que parar de pensar. Pensar cansa, e geralmente eu não chego a nenhuma conclusão. Acho que hoje realmente não é meu dia. Estou dizendo, ou tentando dizer algo que não sei. Essa é a verdade. Não sei o que lhes dizer. Uso esse pronome como se conhecesse quem fosse ler. Tomara que ninguém. Não desejaria que alguém se perdesse tanto quanto eu estou perdida. Sinto-me num labirinto, um labirinto de palavras. Ainda estou tentando achar palavras coerentes e acabar logo com isso. Não consigo. Minha garganta queima. Meus dedos tremem. Meus olhos piscam sem controle. Tenho sede de palavras, isso me consome mais. Quero colocar tudo pra fora, mas as palavras não são minhas amigas. Elas saem distorcidas, ou é apenas meus pensamentos que não tem ordem. Talvez seja isso. Estranho não ? Não consigo dizer o que sinto, ou mentir sobre alguma coisa. Defeito de sinceridade oculta. Minha sinceridade é gritada pra mim em silêncio. Faltam-me palavras para expor-me. Queria que me conhecessem. Queria que vissem essa confusão de vagas palavras nos meus pequenos olhos escuros. Queria que usassem meus olhos como pontes, que atravessassem e vissem a minha agonia interna. Queria que pudessem me ajudar. Mas ninguém pode. Nem eu posso comigo mesma. Quero ordem. Quero cascata de palavras. Queria que não sentissem minha confusão. Mas eu sempre quero muito. Tenho que querer parar de querer. Ainda sinto sede. Perdida no labirinto de palavras para sempre. Com sede. Sinto-me inspirada. Mentira. Ainda sinto minha confusão na pele, no suor escorrendo na minha face, na minha cabeça girando. Sinto-me pálida. Sinto o frio. Sinto sede de palavras, isso me consome aos poucos, tranquilamente. Não sinto mais nada. Parei de sentir. Não acredite.
O eu de mim.
Eu acho que fui comprar cigarro e esqueci de voltar. Cigarro não é sexy e quase sempre revela meu caos interior. Escrever não me faz excêntrica. Ao contrário: coloca-me nua diante de estranhos. Sexo oral não está em pauta na minha conversa do dia. Bolsas caras não me levam ao paraíso. Televisão me entedia. Casamento não é a minha ansiedade unanime. Eu estou sempre mudando: de nome, de cidade, de vida .. Quem sou eu ? Fui poetisa aos cinco, uma carrancuda sem pátria e sem crença aos onze. - Sou uma libertina, livre e desbocada aos quinze. Mas não acho que isso importe muito. É tudo tão clichê, e eu me sinto tão cansada para continuar acreditando, até mesmo nas coisas que eu digo. Tudo tão vago, até meu coração, antes sôfredo em seus batimentos, cansou-se de tudo. Mas eu sempre me engano muito, sou muito insegura quanto a isso. Sou insegura quanto a tudo. Meu medo me consome. Eu gosto. Mas isso não importa. Talvez eu não importe, e só. Talvez.
Luna.
Sombras. Todas ao seu redor enquanto você flutua pelo escuro. Emergindo do gentil apoio dos braços abertos da noite. Trevas, trevas em toda a parte, você se sente sozinha? A sutil carência de gravidade, o grande peso de pedra. Você não vê o que você possui, uma beleza calma e limpa. Inunda o céu e vela a escuridão como um lustre. Toda luz que possui é inclinada por lagos e mares. A superfície fragmentada, tão imperfeita, é tudo o que acredita. Vou trazer um espelho, tão prateado, tão exato. Tão preciso e tão puro, um perfeito painel de vidro. Vou arrumar o espelho de forma que enfrente o céu enegrecido. Você verá sua beleza todo momento que você subir.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Clarice feelings
Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa.
Embora amor dentro de mim eu tenha.
Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas.
Clarice Lispector.
É claro que eu não vou postar nada alheio aqui, sem colocar os devidos créditos. :*
Embora amor dentro de mim eu tenha.
Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas.
Clarice Lispector.
É claro que eu não vou postar nada alheio aqui, sem colocar os devidos créditos. :*
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Hoje.
Hoje, eu me encontrei fixada na imensidão que são as paredes das minhas lembranças. Hoje eu me encontrei envolvida em uma bolha de proteção feita por meu próprio sangue, prestes a explodir a minha volta, levando em cada gota pedaços da minha existência. Hoje, eu me vi em frente a uma enorme moldura velha e bonita, onde um vidro gelado, separa a minha verdadeira face daquela que eu gostaria de ser. Inalcansável.
Motivos.
Fez-se silêncio no mundo lá fora. A luz do abajur cintilava fraca no oceano que transbordava por seu fino rosto. Gotas geladas, assim como toda sua alma. Os olhos vagos estavam fixos nas paredes a sua frente. Sua mente repleta de sofrimento voava para longe dali, rápida como a luz. Ela agonizava em um silêncio choroso, sem saber que a quilômetros dali, o motivo dos pequenos cristais de gelo em sua face, desfazia-se por ela também.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Deusa da Luz imaginária.

Eu permaneço no vão da porta. O despertador gritando. Monstros chamando meu nome. Deixem-me ficar onde o vento vai sussurrar pra mim. Onde as gotas e chuva enquanto caem, contam uma história. No meu campo de flores de papel e doces nuvens de canção de ninar, eu minto dentro de mim mesma durante horas e assisto o céu roxo voar sobre mim. Não digam que estou fora do alcance nesse galopante caos - a realidade. Eu sei bem o que está além do meu sono de refúgio. O pesadelo que eu construí em meu próprio mundo para escapar. Engolida pelo som do meu grito, não posso cessar o medo das noites silênciosas.
Eu anseio pelos sonhos de sono profundo, Deusa da luz imaginária.
Pequena garota do espelho.

Há uma pequena garota dentro do meu espelho. Não pergunto mais quem ela é, cansei. Mas gosto de ficar ali a olhando, e ela sorri. Um sorriso vago talvez, mas sei que gosta da minha presença. Ela tem cabelos em uma cor tão estranha, lembra-me ferrugem. São médios, um pouco abaixo dos ombros. Mas não combinam com a sua sobrancelha preta. Seu corpo é míudo, do tamanho de um abraço. Mas ela não chega a ser magra. Suas mãos são pequenas, e estão fechadas em punhos. Já não tento entender mais. Ela tem um jeito de se vestir engraçado. Hoje está com um vestido curto com desenhos delicados, e uma meia-calça azul. Sempre a vejo de azul, deve ser sua cor favorita. Eu fico procurando vestigios pra ver se a conheço, mas nada. Sempre me arrependo quando paro para olhar seu rosto. Sua pele é de um pálido esquisito. Dá pra ver que o Sol já brilhou e deixou marcas ali, que hoje estão tão desbotadas que ninguém pode chamar de bronzeado. Sua pele parece ser tão frágil, tão frágil. Ela poderia ser feita de porcelana, cristal, que ninguém duvidaria. Eu queria poder tocá-la. Abraçá-la. Devia ser muito frio ali. Mas eu nunca poderia realizar tal sonho. Eu não conseguia pensar em maneiras de tirá-la dali, e devolvê-la a vida. Finalmente, eu olhei para o local nela que eu mais temia encarar. Existiam olheiras estranhas, ela deve estar cansada de permanecer congelada ali. Seus olhos são pequenos, mas profundos e terrivelmente negros. E há uma história neles. Uma canção de ninar, um adeus. Se eu prestasse bem atenção, dava pra ouvir as notas suaves do piano ao fundo. Quando ela voltava seu olhar para mim, eu poderia dizer que seu coração facilmente se parte em dois. Eu gostaria de poder fazer alguma coisa, porque agora há lágrimas pesadas escorrendo melancólicamente pela sua face. Se eu pudesse, eu diria a ela que não há o que temer, e que os medos dela são totalmente infantis. Queria poder lhe dizer que a dor que ela está sentindo e a solidão se apagariam, e que ela descansaria em paz pelo resto dos seus dias. Mas no mesmo momento em que eu notei que nada funcionaria tão facilmente, ela me olhou ardilmente, atroz, com as mãos ainda fechadas em punhos. E tão rápido que eu nem senti, o vidro gelado rachou-se nas minhas mãos, e jorrou sangue nos pequenos cacos que caiam no chão. Eu olhei para o chão, vi o reflexo em um caco e sorri. Eu sabia que estaria ligada para sempre aquela pequena garota de agora em diante. Sabia disso. Abracei-me, manchando o curto vestido de sangue, mas sentido um súbito calor, sentido a pele ruborizando de alegria, as bochechas queimando. Então, eu sai do pequeno cômodo, tranquila, feliz, com meu coração remendando-se automáticamente, e deixando através dos meus pequenos passos, os rastros de sangue e passado pelo assoalho de madeira antiga.
Assinar:
Comentários (Atom)