terça-feira, 20 de abril de 2010
Primeiro amor.
Palhaço, de olhos verdes e um chapéu cor-de-rosa. Assim ele apareceu pra mim, e assim eu o amei. Desde o primeiro instante. A partir do primeiro arrepio, a primeira pulsada violenta nas veias, do primeiro suspiro. Entreguei-me de corpo e alma, e deliciei-me com as gotas de um amor genuino. Um amor letal. Cada gota agia como veneno, levando-me a uma morte induzida, lenta, prazerosa. Eu estava ciente dos sintomas, estava com febre, eu estava alucinando. Pensando bem, talvez não fosse veneno, nem doença. Era uma droga, presente em minha corrente sanguinea, fazendo minha cabeça girar, minhas pernas pesarem. E claro, era viciante. Quando mais eu provava daquela substância, mas eu me entregava aos seus encantos. Era como tomar absinto, e ver que as lendas sobre ele eram reais. Aquilo me levava a loucura, e eu adorava, queria mais e mais. Nunca pensando nas consequencias. Haveriam consequencias ? Ou haveria apenas cheiro de paixão misturado com um perfume masculino embriagante ? Haveria razão para querer deixar aquilo ? Ou haveria para sempre canções que falavam de mar, e encontros, e mais canções ? Degustar o amor pela primeira vez é uma sensação única. Mas assim como outras drogas, ou absinto, custa caro. Porque depois do efeito, sempre vem dor de cabeça, ressaca. Mas apesar de tudo isso, você nunca se arrepende. E você agradece, por cada particula do seu ser não rejeitar gotas tão puras do mais cruel e vital veneno. Então você sabe, que sufocar e delirar é um preço baixo a se pagar. Porque o amor é assim, e põe você à prova a todo instante, sucintamente. Mas, por todo o caminho que eu percorrer, palavras suaves e quentes sairam da minha boca para dizer que o meu primeiro amor teve sabor de desejo, teve sabor de vida, teve sabor de amor. O mais letal, e o mais lindo. Com olhos verdes que pareciam esmeralda liquida, e com um chapéu cor-de-rosa. Que hoje se encontra desbotado, comigo. Mas que sempre vai existir. Como essa lembrança, que o assim como o vinho, fica mais saborosa com o passar do tempo. Um brinde, aos primeiros amores. E aos outros também, é claro.
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